Especial Monaco

8 de ago de 2010

Mr. Mônaco, Graham Hill

Graham Hill, GP de Monaco de 1963

Vocês devem lembrar perfeitamente de Damon Hill, campeão da Fórmula 1 em 1996 pela Williams. Também se recordam de dezenas de citações sobre seu pai, Graham Hill. Pois bem, o velho Graham foi campeão mundial em 1962 e 1968, e foi por décadas o maior vencedor da história do GP de Mônaco.

Faleceu veterano em um acidente aéreo no qual morreram membros de sua equipe Embassy Hill e o também piloto Tony Brise. Graham Hill também é o único piloto da história a conquistar a %22Tríplice Coroa do Automobilismo%22: 24 horas de Le Mans (1972), 500 milhas de Indianápolis (1966) e o GP de Mônaco de Fórmula-1 (1963, 1964, 1965, 1968 e 1969).

Depois de iniciar como mecânico, Graham Hill estreou na F-1 em 1958 na Lotus justamente em Montecarlo, pista que faria sua lenda. Constantemente rápido, logo chamou a atenção da confiável BRM. Foi na equipe inglesa que ele conquistou seu primeiro título, em 1962. E foi ali que ganhou em Monaco por três anos consecutivos: 1963, 1964 e 1965.

Esta última seria sua grande corrida na carreira: largou na pole, liderou por quase toda a corrida quando saiu da pista. Voltou em 5° e foi batendo recordes da pista até superar Jackie Stewart (seu grande rival na época) e Lorenzo Bandini (que morreria ali mesmo dois anos depois) e conquistar a vitória. Foi também a segunda e última vez que um piloto caiu no mar, fato inusitado que ocorreu com Paul Hawkins, da Lotus na volta 79 (ele nada sofreu).

Em 1966, Hill seria o vencedor das 500 milhas de Indianápolis pilotando um Lola-Ford. Depois retornaria à Lotus, no qual seria um dos pilotos do revolucionário carro-turbina. Em 1968, seria campeão pela Lotus depois das trágicas mortes do amigo e companheiro Jim Clark, e do substituto Mike Spence (este nas 500 milhas).

No ano seguinte, Hill e seu companheiro Jochen Rindt (que morreria no ano seguinte em Monza e seria campeão póstumo), sofreriam dois acidentes graves com sua Lotus na mesma pista e no mesmo dia (GP da Espanha em Montjuich). Hill quebrou as duas pernas e Rindt fraturou o crânio. A causa? Quebras nos aerofólios altos que, por causa disto, foram banidos pela FIA.

Hill seria o vencedor das 24h de Le Mans em 1972 e neste mesmo ano começaria o sonho de ter sua equipe. Que seria encerrado em 1975 no acidente áereo ao norte de Londres…

A homenagem é o relato do GP de Mônaco de 1965 (cenas desta corrida foram utilizadas no filme Grand Prix, de John Frankenheimer e com James Garner e Yves Montand):


O Rei de Mônaco, Ayrton Senna

O GP de Mônaco é disputado nas ruas do Principado. Comandado pela família Grimaldi há séculos, Montecarlo é um paraíso fiscal hoje sob comando do príncipe Albert, um notório esportista. Porém seu pai, o finado rei Rainier, teve de ceder sua coroa, ao menos de maneira figurativa, para um certo brasileiro.

De talentos especiais para voar nas ruas estreitas, Ayrton Senna já causou furor em 1984, quando pilotando um tétrico Toleman sob um dilúvio torrencial, estava em segundo lugar e passaria Alain Prost se a corrida não tivesse sido encerrada antes do horário. A pontuação foi dada pela metade e, ironia do destino, Prost perdeu o título daquele ano por mísero meio-ponto para Niki Lauda.

Senna tornou-se o primeiro brasileiro a vencer em Mônaco, em 1987. Mais do que isto, ganhou lá por seis vezes, se tornando o maior vencedor da pista em todos os tempos. A vitória de 1987 foi ainda a primeira corrida que um carro com suspensão ativa venceu.

No ano seguinte, com quase um minuto de vantagem sobre o rival Alain Prost, Senna bateu sozinho na entrada do túnel e abandonou a corrida. Este incidente marcou para sempre o piloto brasileiro, que disse ter tirado lições de sua desconcentração naquela corrida. Deve ter mesmo surtido efeito, pois entre 89 e 93 Senna ganhou simplesmente cinco corridas consecutivas, igualando e depois superando o recorde de Graham Hill. Ficam agora dois momentos especiais nesta trajetória

A fantástica "flying lap", que lhe deu a pole em 1991 (onboard camera):

O duelo com Nigel Mansell no finalzinho do GP de 1992

Bandini, a maior tragédia de Mônaco


A morte do italiano Lorenzo Bandini em 1967 é a maior tragédia já ocorrida no circuito de Montecarlo. A maior esperança italiana de ser novamente campeã mundial desde a trágica perda de Alberto Ascari (também piloto da Ferrari e igualmente morto em um acidente), era líder do campeonato no momento de sua morte.


Bandini estava em segundo lugar na volta 82 do GP de Mônaco de 1967 quando bateu na entrada do Túnel e seu carro explodiu. A causa foi um choque com as inúteis proteções de feno e um poste ao lado da pista, comuns à época. Altamente incendiável, o feno alastrou o incêndio ainda mais, dificultando o resgate do piloto.

Com muitas queimaduras, ele foi levado ao hospital em Lyon mas não resistiu depois de três dias internado. Sua morte causou problemas judiciais para a Ferrari, já que a Justiça Italiana exigiu explicações do construtor. O mesmo aconteceu com o Principado de Mônaco, que processou os responsáveis pelo GP sobre a demora no resgate, mas acabou arquivando o caso.

Depois disto, a Ferrari só foi ter um novo piloto italiano em 1984, com Michele Alboreto, por pouco tempo, o mesmo acontecendo com o italiano Ivan Capelli.

Bandini correu 42 provas, com uma vitória (GP da Áustria de 1964), 8 pódiuns e 1 pole position.

As grandes barbeiragens em Mônaco

Uma sequência de papagaiadas cometidas nas ruas do principado de Mônaco. Tem batida para todos os gostos: envolvendo campeões mundiais, em treino, sozinho, com um monte de carros, etc…

A mais clássica de todas. A batida em 1989 entre Nélson Piquet e Andrea de Cesaris no Loews, a curva de 180°da F-1. Só faltou o Piquet e o De Cesaris descerem do carro e caírem no soco..

Acho que o Piquet fez o que todo mundo sempre quis fazer com o De Cesaris: avacalhar uma corrida dele do mesmo jeito que ele fazia com os outros. Parece uma discussão de trânsito e não uma corrida de Fórmula-1… E uma dúzia de carros esperando para poderem passar…

Esta do péssimo brasileiro Ricardo Rosset eu não conhecia. Nos treinos classificatórios do GP de 1998, ele vai dar meia-volta depois de rodar sozinho e faz esta bisonhice… Reparem que, depois disto, ele ficou fora dos 107% e não largou na corrida.

Neste mesmo dia, ele cometeu outro erro inacreditável: passou reto em uma curva, colocou a ré e… não tirou! Foi voltando, voltando, voltando até “lembrar” de colocar o “morto”, a primeira marcha e aí sim andar para FRENTE. Acho que ele queria dar a volta inteira em marcha ré…

Batida na clássica Saint-Devôte, largada do GP de 1980. O irlandês Derek Daly decola após um acidente causado pelo então novato Alain Prost.




Coulthard vs. Bernoldi em Montecarlo: Davi contra Golias…

Um dos lances mais divertidos dos últimos anos na F-1 aconteceu no GP de Mônaco de 2001. O pole-position David Coulthard deixou o motor morrer antes da volta de apresentação e foi para o último lugar. Começou uma corrida de recuperação e encostou atrás do brasileiro Enrique Bernoldi, com a pavorosa Arrows, na oitava volta. Por longas 36 voltas, Coulthard tentou de todas as maneiras passar o brasileiro nas estreitas ruas do principado, sem nenhum sucesso.

Mais patético que as reclamações de Coulthard e de Ron Dennis, chefão da McLaren (que foi até a posição de Tom Walkinshaw, dono da Arrows, para reclamar não sei do quê) eram os ineptos fiscais de pista monegascos.

Eles olhavam uma McLaren atrás de uma Arrows e burramente acenavam bandeira azul, de retardatário (olhem o instante 02min57s). Um piloto apenas limitado, Bernoldi teve seu momento de glória na F-1, segurando a então imbatível McLaren por 36 voltas e com uma grande exposição na transmissão da corrida.

O momento mais especial foi quando o líder Michael Schumacher foi dar uma volta nos dois e Bernoldi, muito inteligentemente, conseguiu dar a posição sem atrapalhar o alemão, e ainda continuou segurando o escocês, enfurecido com o tempo perdido (olhem o instante 05min45s). Bernoldi só perdeu a posição na parada dos boxes, e Coulthard terminou na honrosa 5° colocação.

Vejam o vídeo:

fonte: almanaque do esporte

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